02 de Janeiro

by Nina Crintzs

31 de Dezembro é sempre assim, pretensioso e barulhento. Basta aparecer no calendário e vida vira essa impressão de “felicidade take 2” com data marcada. Eu gosto mesmo é do dia 02 de Janeiro, porque o dia Primeiro também se acha acontecimento demais pruma folhinha só.

No dia 02, a festa já virou a ressaca que já passou, várias resoluções de fim-de-ano já foram quebradas, as dores e os versos voltaram todos pros lugares certos, a conta bancária reapareceu e o número de copos quebrados é sempre bem maior do que o imaginado.

Não me levem a mal, meus caros, que eu adoro uma bagunça. Acho, inclusive, que já que a vida não faz sentido, tem mesmo que ser uma festa. E não vale parar de dançar.

Mas a festa-regra, essas que são compromisso anual assumido sem o meu consentimento, dessas eu tenho uma certa birra. A minha alegria faz motim: como assim?! Tem que ser hoje?! Agora?!

Eu prefiro a festa-exceção, que não tá marcada em lugar nenhum, e que vai te achar no final de uma quarta-feira qualquer, e depois vai virar uma daquelas memórias que você mistura com os seus poemas preferidos.

Não são os momentos grandiosos fogos-de-artifício-em-Copacabana ou saltos-LaBoutin-tic-tac-em-mármore-Carrara que me encantam. Isso é tudo perfumaria, delícia, sim, bobagem adorável.

É que a vida é mais pra dentro, mais pro fundo. Que as coisas bonitas não fazem esforço pra chamar nossa atenção. Que as coisas preciosas são tímidas e quietinhas. Que as sensações delicadas são fugidias. E é nas quartas e quintas-feiras com trânsito lotado que tá a música que a gente não pode parar de dançar.

E é aí que tá o segredo, meu amigo: não precisa de toda essa histeria.

A poesia da vida é dia 02 de Janeiro, não 31 de Dezembro.

 

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